|
:: Programa - Mudanças Climáticas
- Clima - COP 8
IPAM apresenta na Índia estudo sobre queimadas na
Amazônia
O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental
da Amazônia) será uma das únicas ONG brasileiras a realizar uma
apresentações durante a 8a Conferência das Partes a Convenção-Quadro
sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas, que ocorre de 23 de
outubro a 1º de novembro na Índia.
Durante 11 dias, chefes de Estado,
ONGs e empresas do mundo inteiro estarão reunidos para avaliar os
avanços alcançados em relação ao clima e traçar estratégias para
melhorar a saúde ambiental do planeta. O IPAM, apresentará um estudo
com os resultados das emissões de carbono, causadas palas queimadas
na Amazônia e a interferência da poluição no clima global. Sozinhos,
os incêndios florestais são responsáveis por 75% do total das emissões
brasileiras de gases poluentes, o equivalente a 200 milhões de toneladas
de carbono lançadas por ano na atmosfera.
Outro ponto de discussão que o IPAM
levará para Conferência é o aumento de carbono na atmosfera que
as termelétricas irão causar. Podendo aumentar em 30% as emissões
brasileiras de dióxido de carbono, o principal gás que vem provocando
o efeito estufa que aquece o planeta.
O Brasil deu passos importantes ratificando
o Protocolo de Kioto e lançando a proposta dos 10% para energia
renovável para Rio+10. Contudo, torna-se preocupante o tipo de investimento
que o governo brasileiro está fazendo no setor elétrico.
Ao contrário dos países ricos, como
os Estados Unidos e Japão, que lideram o ranking das emissões de
dióxido de carbono (CO2) para atmosfera devido a queima de combustíveis
fósseis (petróleo, carvão, mineral e gás), a base energética brasileira
é hidráulica e, portanto, polui, comparativamente, menos a atmosfera,
já que o CO2 emitido é aquele produzido pelos lagos das usinas.
Mesmo excluindo as hidroelétricas,
o Brasil conta hoje com 20% de sua produção de energia baseada em
uma matriz totalmente renovável. Contudo, por conta da crise energética
recente, o Brasil iniciou uma série de investimentos em projetos
de geração de energia, por meio de usinas termelétricas, a gás e
a diesel que tendem a 'sujar' a matriz energética do país.
O governo federal já inaugurou a
primeira termelétrica de uma série de usinas planejadas para tentar
evitar novas crises no setor energético.
Se esse plano for implementado, as
termelétricas à base de gás poderão, a partir de 2005, emitir mais
27 milhões de toneladas de carbono equivalente a poluição provocada
anualmente por uma frota de 675 milhões de automóveis. 'Isso representa
cerca de 30% das emissões brasileiras de carbono originadas da queima
de combustíveis derivados do petróleo, considerando como referência
os níveis de 1999', afirma Paulo Moutinho.
Se somarmos a este aumento as emissões
por conta das termelétricas com aquelas oriundas do desmatamento
e queimadas na Amazônia, que na verdade representam o grosso das
emissões nacionais, o Brasil estaria entre os quatro maiores poluidores
do planeta.
É preciso, portanto, segundo Moutinho,
que o governo reveja seus investimentos na produção de energia,
preferindo aquelas essencialmente renováveis (ventos, energia solar,
biomassa, etc.) e passe efetivamente a reduzir o desmatamento Amazônia.
Somente assim a contribuição presente
e futuro do país para as reduções das emissões globais.
Fale
conosco |