Clima e Floresta
Home » Edição 04 - 01/07/2008 » 89
Sistema energético brasileiro sofrerá conseqüências do clima
Pesquisadores do Programa de Planejamento Energético da COPPE/Universidade Federal do Rio de Janeiro concluíram estudo inédito onde apontam os impactos que o aquecimento global e as conseqüentes mudanças no clima terão sobre as fontes renováveis de energia no Brasil. Coordenado por Roberto Schaeffer e Alexandre Salem Szklo, o trabalho constata que há vulnerabilidade na produção de energia de Norte e Sul do Brasil, seja a partir da água, dos ventos, da mamona ou da soja. “Em função do clima, toda a produção de energia vinda das fontes renováveis, salvo a oriunda de cana-de-açúcar, será menor. Por ser um país tropical, o sistema energético do Brasil será um dos mais afetados do mundo. O potencial de produção de algumas fontes cairá mais do que o de outras, porém, mais importante do que o números é o sinal amarelo que se acende, demonstrando que nossos modelos de projeção levam em consideração um clima que não se repetirá nos próximos 50 ou 100 anos. Isso precisará ser revisto”, diz Schaeffer.
O estudo mostra como o sistema energético brasileiro planejado para 2030 pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) responderá às novas condições climáticas projetadas para o período que vai de 2071 a 2100, tomando como base os cenários A2 (emissões altas) e B2 (emissões baixas) do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU). O que se vê é um cenário de queda generalizada na produção das hidrelétricas – que hoje respondem por 85% da geração de eletricidade no Brasil -; redução de até 60% do potencial eólico brasileiro; redução ou mesmo inviabilização de culturas como mamona e soja, sobretudo no Nordeste e no Centro-Oeste, em função das elevadas temperaturas e das secas previstas para as regiões. De todas as culturas analisadas, a cana-de-açúcar é a única que não será afetada negativamente.
Para o diretor da COPPE/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, o trabalho deixa claro que, se a sociedade brasileira deve investir – ainda mais intensamente do que já o faz – em energias renováveis, deverá também investir em estudos para utilizá-las com propriedade. O estudo, realizado com o apoio da Embaixada do Reino Unido, está disponível no site www.ppe.ufrj.br.
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