Clima e Floresta
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Retrospectiva 2011: REDD subnacional ganha força com criação de fundo internacional
Bernhard J. Smid
A 5a reunião anual do GCF Task Force, ocorrida em setembro de 2011 na Indonésia, anunciou a criação de um fundo e a primeira doação de US$ 1,5 milhão, provinda dos EUA. A doação, anunciada pelo representante da Embaixada dos EUA em Jakarta, Sr. Hugo Yon, é um sinal claro de que o Governo Federal norte-americano, que não é signatário do Protocolo de Kyoto, nem no período pós-2012, conforme a COP-17 de Durban, está apoiando temas ambientais através da implementação de políticas e iniciativas subnacionais. Os recursos do Fundo visam dar suporte a contabilização de carbono florestal, apoiar as atividades de implementação de REDD+, a melhoria dos processos de envolvimento de stakeholders nos estados, províncias e departamentos do GCF. A meta de capitalização para este Fundo é de R$ 6 milhões para 2012-2013.
Nessa ocasião, foi anunciado o lançamento de um Banco de Dados que visa disponibilizar informações detalhadas sobre os programas jurisdicionais de REDD+ que estão sendo desenvolvidos pelos membros do GCF. O banco de dados deverá ser uma ferramenta importante para o monitoramento do progresso de implementação dos programas de REDD+, além da troca de experiências e de conhecimento interjurisdicional.
Planejamento para 2012:
A reunião em Palangka Raya, Indonésia, teve importantes desdobramentos e recomendações para 2012, os quais foram divididos em cinco grandes temas:
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Alinhamento das Políticas estaduais e nacionais de REDD+, envolvendo a participação dos povos das florestas, populações ribeirinhas e povos indígenas no processo de consulta e de decisão, inclusive quanto à implementação de políticas públicas;
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REDD+ deve ser tratado como um componente de um novo paradigma de desenvolvimento rural e com forte apoio político, deixando de ser focado em nível de projeto para ser focado a nível jurisdicional, permitindo um maior alinhamento com as políticas nacionais, legislação e oportunidades de financiamento;
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Foi discutida a importância de se ter garantias socioambientais de REDD+ em nível global, especificamente das iniciativas no âmbito do UNFCCC, dos governos nacionais e subnacionais da Indonésia, Brasil, e Califórnia, bem como a importância do efetivo envolvimento dos stakeholders no desenvolvimento das garantias e abordagens para regulamentação da REDD+ e a implantação do Consentimento Livre Prévio e Informado (FPIC - Free Prior and Informed Consent), previsto em acordos internacionais como a Convenção 169 da OIT, Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (DNUDPI) e Declaração Universal dos Direitos Humanos
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Foi recomendada a criação de uma lista de boas práticas que devem ser adotadas pelos membros do GCF Task Force quando da implementação de políticas ambientais, aninhadas à legislação nacional, e que permitam a existência de uma estratégia de coordenação de esforços entre os formuladores de políticas públicas.
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O estabelecimento de um organograma funcional e regimento interno para a gestão do Fundo GCF, composto por um Diretor Executivo para gerenciar as operações do dia-a-dia, que ajudará na nomeação de um Conselho Inaugural formado por 5 membros dos estados e províncias do GCF: um nomeado pelos membros do GCF do Brasil, um pelos membros do GCF da Indonésia, um pelas outras jurisdições do GCF (atualmente Nigéria, México, Peru e EUA) e dois por parte dos doadores do Fundo. Cada membro do conselho terá um mandato fixo e os mandatos serão alternados.
Para o ano de 2012, o GCF Task Force estabeleceu pontos norteadores, os quais foram apresentados no resumo da Reunião Anual do GCF:
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Os governos subnacionais membros precisam pensar sobre o GCF Task Force para além de 2012, incluindo estratégias de como alavancar recursos adicionais para o GCF e gerar fundos para apoiar as atividades do GCF.
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O Secretariado do GCF está considerando estratégias para expandir as suas atividades na África.
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O GCF deverá desenvolver uma estratégia para a Rio +20, considerando a destinação de fundos para a Rio +20, mas a preferência é trabalhar com os governos membros para ajudar a financiar a participação e as atividades correlatas. Os membros do GCF estão trabalhando com seus respectivos governos e Pontos Focais para formalizar um plano / estratégia.
Sobre o GCF:
Durante o Fórum de Meio Ambiente dos Governadores, ocorrido em Los Angeles em 2008, foram assinados memorandos de entendimentos(MOUs) bilaterais para o estabelecimento de uma cooperação internacional na área ambiental, com ênfase na política climática, financiamento, troca de tecnologia e pesquisa. Para implementar os termos dos MOUs, os signatários criaram o Governors' Global Climate and Forest Task Force (GCF Task Force). O GCF foi formalizado em junho de 2009 pelos nove membros signatários, tendo esse número de participantes se ampliado para os atuais 16 governos subnacionais: Amazonas, Acre, Amapá, Mato Grosso e Pará (Brasil), Aceh, Central Kalimantan, East Kalimantan, West Kalimantan e Papua (Indonésia), Califórnia e Illinois (Estados Unidos), Cross River State (Nigéria), Campeche e Chiapas (México) e Madre de Dios (Peru).
A participação do IPAM junto ao GCF Task Force
O IPAM atua junto aos governos da Califórnia, Acre, Mato Grosso e Pará desde a implementação do GCF Tarsk Force (2008) com o objetivo de estabelecer políticas de REDD nos estados brasileiros e fortalecer as ações já em curso nas referidas regiões.
Leia mais:
www.ipam.org.br/saiba-mais/GCF-Forum-Global-dos-Governadores-para-Clima-e-Floresta/7
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* Bernhard J Smid, Supervisor de Políticas Públicas do IPAM, acompanha as discussões sobre o GCF Task Force desde 2008, e foi Chair do GCF Task Force em 2010, quando era Secretário Executivo Adjunto de Relações Internacionais do Governo do Amazonas.
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Prezado Daniel, obrigado pelo comentário nesta notícia e pela preocupação quanto aos recursos necessários nas diversas atividades relacionadas aos governos. Sobre o fundo GCF, deve-se destacar que as iniciativas já existem desde 2008, utilizando recursos de dos governos subnacionais e de parceiros internacionais, atualmente: ClimateWorks, Moore Foundation e The David & Lucile Packard Foundation.
Os recursos do Fundo GCF, que foi criado no fim de 2011, não têm como objetivo específico de pagar passagens e hospedagem em eventos, mas sim de atender a necessidades coletivas e implantar atividades de validação de conceito. Desta forma, o Fundo GCF deverá ser um instrumento para o financiamento de ações relativas a REDD.
O Secretariado do GCF está no momento elaborando o regimento interno que norteará o Fundo GCF. O Regimento será submetido para revisão, comentários e aprovação a todos os governos membros do GCF. Para ter maiores informações, por favor, visite o site: www.gcftaskforce.org
Postado por IPAM em 26 de Janeiro de 2012 às 15:09 -
haha.. 1,5 milhão, num deve dar nem pra pagar as passsagens e hospedagem pra esse povo ficar se reunindo e viajando pelo mundo!
Como se esses estados não tivessem muito mais grana, além das decisões que prescindem de recursos financeiros. Acho que faltou um pouco de senso crítico nessa reportagem...
Postado por Daniel em 26 de Janeiro de 2012 às 11:26
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