Clima e Floresta

Home » Edição 01 - 01/02/2008 » 114

Rede Clima começa a atuar em março

Maura Campanili

Carlos Nobre, Coordenador CPTEC

A nova instância, que integra o Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional, lançado em novembro último pelo governo federal, contará inicialmente com recursos de R$ 10 milhões, destinados através da Financiadora de Estudos e Projetos do MCT (Finep), e ficará sediada no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que exercerá a função de secretaria executiva da Rede.

Segundo o meteorologista Carlos Nobre, coordenador-geral do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), a Rede Clima tem o objetivo de gerar e disseminar conhecimento sobre causas e efeitos das mudanças climáticas globais e embasar políticas brasileiras de prevenção, adaptação e mitigação. Além disso, produzirá dados e informações necessárias ao apoio à diplomacia brasileira nas negociações sobre o regime internacional de mudanças do clima.

Entre as propostas de atuação da Rede estão a realização de estudos sobre os impactos das mudanças climáticas globais e regionais no Brasil, com ênfase nas vulnerabilidades do País e alternativas de adaptação dos sistemas sociais, econômicos e naturais do Brasil a essas mudanças. Os efeitos no uso da terra e nos sistemas sociais, econômicos e naturais causados pelas emissões brasileiras de gases de efeito estufa também serão foco da Rede Clima. Responsável pelo processo de tornar o INPE a Secretaria da Rede, Nobre diz que este será um espaço científico, onde grupos de instituições e cientistas serão financiados pelo governo.

“O INPE escreveu um projeto para a utilização dos recursos iniciais para funcionamento da Rede, que está em análise pela Finep. Mas o valor de R$ 10 milhões é inicial, pois desejamos que cresça nos próximos anos. A idéia é que também consigamos motivar a comunidade científica brasileira a atacar questões científicas importantes e aumentar a base de estudantes e pesquisadores na área”, diz Nobre.

Para tanto, além dos recursos da Finep, a Rede Clima contará com um super computador de R$ 35 milhões. “Será a principal ferramenta para elaboração de cenários futuros em mudanças climáticas. O processo de licitação foi iniciado, será comprado ainda em 2008 para começar a trabalhar em 2009”, conta o meteorologista. Conforme Nobre, o INPE já alocou espaço e seis pessoas para o funcionamento da Rede no INPE, sendo um na área administrativa e cinco doutores, especializados em modelagem em mudança climática, que ajudarão toda a Rede a utilizar o super computador. “É importante deixar claro que o computador ficará no INPE, mas estará aberto a todos os pesquisadores da Rede Clima”, salienta.

Além do conselho diretor e da secretaria executiva, a Rede Clima contará com o assessoramento de um comitê científico. Segundo a portaria no 728, que criou a Rede, o conselho diretor contará com representantes do MCT e dos ministérios do Meio Ambiente (MMA), das Relações Exteriores, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti) e do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap).

O conselho definirá as formas de financiamento dos projetos científicos e de alocação dos recursos da Rede e vai articular a sua integração com programas e políticas públicas na área de mudanças climáticas globais. Outra atribuição será apoiar a implementação dos processos abertos e competitivos de seleção de projetos de pesquisa da Rede, em parceria com agências de financiamento e instituições de coordenação das sub-redes temáticas. A portaria determina, ainda, que seja criado um portal na Internet, para atuar como meio de interação entre seus pesquisadores e divulgação das pesquisas e dos resultados obtidos. Os trabalhos realizados pela Rede serão avaliados por uma comissão externa a cada três anos.

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