Clima e Floresta
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Para economista britânico, Brasil precisa atacar desmatamento
Maura Campanili
Ao lado da jornalista Miram Leitão, Nicholas Stern fala sobre economia e mudanças climáticas. (Foto: Divulgação/Fiesp)Atacar o desmatamento é a grande missão brasileira no combate ao aquecimento global. Essa é a opinião do economista britânico Nicholas Stern, que no dia 4 de novembro esteve na Federação das Indústrias de São Paulo (Fisesp) para falar sobre os “Elementos-chave para uma economia de baixo carbono”. Se conseguir superar esse desafio e souber explorar suas possibilidades em hidroeletricidade, sol, vento e biocombustíveis, o país tem tudo para chegar antes dos demais à economia de baixo carbono e dar um ótimo exemplo ao mundo, disse. “Se o Brasil se considerar apto a liderar esse processo, seria um sinal muito poderoso”.
O economista, ex-vice-presidente do Banco Mundial, foi o coordenador do relatório Stern, encomendado pelo governo britânico e publicado em 2006, que analisou os impactos econômicos das mudanças climáticas e concluiu que, com um investimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, pode-se evitar a perda de 20% do PIB pelas conseqüências dessas mudanças em 50 anos. Um novo estudo, intitulado Acordo Global em Mudanças Climáticas, realizado na Escola de Ciência Política e Econômica de Londres e divulgado em abril de 2008, porém, mostra que os efeitos do aquecimento global foram subestimados no relatório de 2006. Por conta disso, Stern agora propõe que os países desenvolvidos devem se comprometer a cortar em até 80% suas emissões de carbono até 2050, enquanto as nações emergentes devem concordar em estabelecer metas de cortes até 2020.
Para o economista, a Conferências das Partes da Convenção do Clima (COP 15), que acontece em dezembro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, será reunião mais importante após a Segunda Guerra Mundial. Neste encontro de cúpula, espera-se estabelecer o novo acordo internacional destinado a substituir o Protocolo de Quioto. Segundo Stern, as mudanças climáticas ameaçam os elementos básicos da vida dos seres humanos em todo o mundo: o acesso à água, a produção de alimentos, a saúde, assim como a utilização dos solos e o ambiente. “A questão é: que efeito isso terá sobre o mundo que vivemos?”, disse.
Conforme Stern, não há como evitar que as mudanças climáticas aconteçam, mas é preciso lutar pela redução das emissões para que seus efeitos sejam mínimos. “Temos que pensar em como serão os novos edifícios, a agricultura, os transportes, pois tudo será afetado”. A melhor maneira de lidar com essas mudanças a um custo o mais baixo possível seria estabelecendo preço para o CO2, para que a sociedade possa assumir o custo real das emissões.
“Se houver preço para o CO2, as pessoas vão procurar alternativas. Mas é preciso levar em conta que há diferença entre pessoas e entre países. Mais da metade dos gases de efeito estufa vêm de países ricos. Por isso o acordo global tem que ser eficaz, eficiente e equânime”, acredita. Para explicar, o economista diz que 1% a 2% do PIB não justificam o protecionismo verde. “Precisamos de processos de ajustes, mas não queremos mais uma era de protecionismo ou de fronteiras fechadas ao comércio.”
Além disso, defende que o mundo dos negócios tem um papel importante no que vai acontecer daqui para frente. “A ação requer incentivo público, mas são as empresas que têm que reagir e, por conta disso, precisam participar das negociações”, afirmou. Como exemplo, citou o relatório “Mudanças Climáticas: um assunto de todos”, no qual a indústria britânica faz uma avaliação dos benefícios econômicos e custos de diferentes opções para reduzir suas emissões, e da política de mudanças climáticas adotada pela Confederação das Indústrias Indianas.
Negociações
Para Stern, o próximo acordo global precisa ter participação total dos países ricos, que precisam reduzir em até 80% suas emissões e fornecer tecnologia para os países em desenvolvimento. Mas países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e China também precisam ter compromissos. “O Brasil anunciou um plano de ação contra o desmatamento até 2015 e vai definir sua própria política de desenvolvimento. Mas é o resto do mundo que se beneficia com a diminuição de emissões do desmatamento e, por isso, deve contribuir para o Fundo Amazônico, que deve entrar no acordo global”, disse.
O economista afirma que não tenta fazer de conta que é fácil reduzir 80% das emissões. “Mas se o mundo não conseguir chegar a um acordo em Copenhague, não se terá credibilidade para investimentos em fontes de baixo carbono. Não devemos subestimar os custos, mas os benefícios são enormes: com um planeta mais limpo, seguro e com maior biodiversidade, podemos continuar crescendo. Um mundo com mais carbono é inseguro e a economia não terá como continuar crescendo.”
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