Clima e Floresta

Home » Edição 13 - 15/08/2009 » 120

O desmatamento na grande imprensa

A cobertura da grande imprensa sobre o desmatamento no Brasil conta ainda com falhas como o tratamento descontínuo do assunto, a falta de qualificação dos jornalistas e a carência de investimento dos veículos para a realização de reportagens mais aprofundadas e qualificadas. Essas são algumas das conclusões do estudo “Amazônia em Crise: o avanço do desmatamento nos grandes jornais do Brasil”, dissertação de mestrado da jornalista Clarissa Presotti Guimarães Carvalho para o Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília. 

Segundo a pesquisa, realizada a partir de matérias publicadas em três grandes jornais impressos (Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo), nos períodos de divulgação das taxas de desmatamento na Amazônia nos anos de 2005, 2007 e 2008, mostra que em 2008 houve uma intensificação da cobertura, mas, no geral, a mídia continua tendo dificuldades para distinguir a informação científica relevante daquela produzida sob a influência da disputa de interesses. 

O estudo mostrou que a maior parte das fontes consultadas pelos três grandes jornais sobre o tema é governamental e que a mídia não tem o hábito de ouvir as comunidades locais. Atores importantes no contexto social amazônico, como ribeirinhos, agricultores familiares e povos indígenas, normalmente são negligenciados na cobertura. “De um modo geral, a imprensa tem apresentado um comodismo frequente e pouca criatividade nas coberturas”, afirma a jornalista no trabalho. Além disso, o estudo mostra que cientistas e ONGs tiveram pouca presença na cobertura sobre o tema, em geral, em torno de 10%. 

Outro resultado que merece destaque é a raríssima relação que os jornalistas fazem entre o desmatamento e o aquecimento global. Apenas 3% das matérias mencionaram as mudanças climáticas. A pesquisa mostrou que a cobertura jornalística do desmatamento se orientou pelos acontecimentos político-institucionais, principalmente os aspectos relacionados às medidas do governo para o combate ao desmatamento, mesmo com as diferenças de foco nas matérias dos três jornais. 

Clarissa Carvalho constatou que o assunto tem recebido tratamento esporádico dos grandes jornais de massa e deixa de ser importante quando não há ocorrência de conflitos políticos ou acontecimento de grande impacto. Mas, apesar das falhas apontadas, jornalistas e especialistas ouvidos pela pesquisadora disseram que a cobertura da imprensa sobre o assunto tem evoluído de maneira mais equilibrada e com melhor apuração. Uma das evoluções é que temas relacionados ao desmatamento da Amazônia saíram da área restrita de ciência, passando a ser tratada também por outras áreas, como economia e política.

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