Clima e Floresta

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O bom, o mau e o feio na Amazônia

Diretora do Serviço Florestal Brasileiro, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Claudia Azevedo-Ramos publicou artigo na Revista Unasylvia, da FAO, vol.59, 2008, onde, por conta de similaridades entre a Amazônia e a imagem popular do faroeste norte-americano, emprestou o nome do épico western de Sergio Leone, “The good, the bad and the ugly” (O bom, o mau e o feio – em tradução livre), para mostrar as fases do desenvolvimento amazônico. O artigo faz uma análise sobre o passado e os desafios futuros para o desenvolvimento da Amazônia brasileira, em relação às realizações recentes.

A partir das piores e melhores situações, a autora mostra os caminhos do desmatamento na região, a contribuição da ciência e da tecnologia para solucionar essa questão crítica e o avanço das leis e regulações que podem ajudar a região.

O feio - Nas últimas três décadas, o uso da terra na Amazônia brasileira tem se caracterizado pela utilização intensa dos recursos naturais cujo resultado é um mosaico de ocupações humanas sem um incremento de qualidade de vida ou distribuição de renda entre a população local. Cerca de 17% da floresta Amazônica, ou 60 milhões de hectares – área equivalente à da França foi convertida para outros usos nos últimos 30 anos.

A Amazônica, porém, contêm 60 a 80 bilhões de toneladas de carbono, mais do que o total de emissões globais geradas pelo ser humano em uma década. O desmatamento na Amazônia brasileira sozinho lança cerca de 200 milhões de toneladas anuais de carbono, respondendo por 3% das emissões globais e 70% das emissões brasileiras.

Resumindo, desflorestamento, degradação, baixa produtividade agrícola e queimadas colocam milhões de hectares de florestas em alto grau de risco. A exploração e conversão das florestas não traz verdadeiro desenvolvimento, oportunidade de trabalho ou qualidade de vida. Cerca de 45% da população amazônica está abaixo da linha de pobreza.

O mau - O desmatamento na Amazônia é resultado de uma interação complexa de muitos controladores diretos e indiretos, tais como mineração, exploração madeireira, investimento em infraestrutura, subsídios para a pecuária, questões de terras, baixa aplicação da lei e alta dos preços de grãos e de carne.

Entre 2001 e 2004, por exemplo, o maior aumento de área plantada de soja foi no Mato Grosso, estado com os maiores índices de desmatamento no período (40% dos novos desmatamentos). A soja também pode ser usada para biodiesel e o governo brasileiro declarou obrigatório a adição de 2% de biodiesel no combustíveis vindos do petróleo a partir de 2008.

Embora a demanda crescente de soja e o crescimento do biodiesel representem uma excelente oportunidade para o Brasil, o desafio é como aumentar a produção sem encorajar novos desmatamentos. O Ministério da Agricultura afirma que a área já desmatada e arável no Brasil é mais do que suficiente para o aumento do plantio de soja sem necessidade de novos desmatamentos.

O agronegócio tem ainda tido um forte suporte de novas infraestruturas na região, especialmente estradas. Pavimentadas, as estradas podem gerar benefícios sociais e econômicos, mas também desmatamento e degradação florestal se não for acompanhado de um planejamento regional. O plano BR 163 Sustentável é uma tentativa nesse sentido.

Modelos desenvolvidos mostram que se o tipo de ocupação na região seguir a tendência histórica, 40% da Amazônia será perdida entre 2003 e 2050. Nesse sentido, as áreas protegidas assumem uma grande importante para manter a floresta e a biodiversidade. Por outro lado, segundo dados do IPAM, os impactos das rodovias seriam sentidos em 89 terras indígenas, 22 áreas protegidas e 68 prioritárias para a conservação da biodiversidade, em 28% das áreas protegidas da região.

O Bom - A parte boa é que maioria das recomendações incluídas no cenário de governança para a Amazônia (no mesmo estudo do IPAM), foram colocados em ação. O governo federal já reconhece que a redução do desmatamento não é preocupação exclusiva do Ministério do Meio Ambiente, tal acontecia historicamente.

No entanto, apoio e incentivos são necessários para manter a cada vez mais extensa rede de áreas protegidas. Neste contexto, o governo brasileiro propôs à Convenção do Clima, que os países devem ser compensados por reduzir desmatamento abaixo de suas taxas históricas, por conta da reduções de emissões de carbono gerar benefícios para toda a humanidade. Apesar das conquistas, os desafios permanecem. O que mudou agora, segundo Azevedo-Ramos, é que há uma forte vontade política e cívica para lidar com eles.

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