Clima e Floresta

Home » Edição 05 - 01/08/2008 » 78

O REDD e o mercado de carbono

Um estudo do Environmental Defense Fund (EDF), divulgado em junho último, estima que a inclusão de um mecanismo de redução de emissões do desmatamento e degradação florestal (REDD) nos países tropicais no mercado de carbono seria uma opção barata e imediata de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e não teria o efeito, que muitos temem, de inundar o mercado de créditos desestimulando o investimento em tecnologias limpas nos países industrializados.

Produzido por Pedro Piris Cabezas e Nathaniel Keohane (diretor de políticas econômicas do EDF), o relatório afirma que reduzir emissões através da proteção de florestas em larga escala tem um potencial transformador nas áreas de mitigação de mudanças climáticas, proteção da biodiversidade e desenvolvimento sustentável. Isso porque até hoje a escala de incentivos voltados para a conservação florestal não tem sido suficiente para servir de contrapeso à economia que apóia o desmatamento em muitas das nações em desenvolvimento.

Um fator crucial que poderia sustentar os preços de carbono a um nível atraente, seria a existência de um mecanismo que permitisse guardar parte desses créditos para uso no futuro. Os créditos de carbono florestais representam um promissor meio de realizar reduções de emissões a um baixo custo e que podem ser disponibilizados em um curto período. Contudo, o verdadeiro valor econômico dos créditos de carbono de florestas é a possibilidade de, uma vez parte deles guardados, serem utilizados ao longo de décadas, reduzindo os custos de redução global no futuro.

A análise do EDF leva em consideração vários cenários políticos e conclui que a inclusão de créditos de carbono florestais dos países em desenvolvimento, incluindo REDD, podem diminuir os preços dos créditos utilizados para o cumprimentos das metas de reduções dos países da União Européia e dos Estados Unidos em cerca de 13%. Uma política mais agressiva de aplicação de recursos em todas as atividades de proteção de florestas tropicais poderiam reduzir os preços em até um terço. No entanto, previsões de que os créditos florestais possam levar a preços de apenas um dígito parecem infundadas.

Conforme o estudo, mesmo que não se coloque limites para a utilização de créditos de carbono em florestas e mesmo que esses créditos atinjam todos os países em desenvolvimento nos próximos cinco anos, o modelo do EDF projeta que o preço dos créditos seria de US$ 16 a tonelada de carbono em 2012, subindo para US$ 24/ton, em 2012 e US$ 40/ton, em 2030. Esses níveis seriam altos o suficiente para garantir que investimentos em tecnologias limpas, como as energias renováveis e de seqüestro de carbono, permaneçam economicamente viáveis.

No modelo proposto, em um cenário onde são permitidos créditos de REDD, mas não outras atividades florestais, o preço seria de US$ 21/ton em 2012, subindo para US$ 30/ton, em 2020, e US$ 49/ton, em 2030. Mesmo que haja uma inundação de créditos de REDD de duas vezes o cenário base do estudo, a projeção ainda seria de US$ 18/ton, em 2012, subindo para US$ 27/ton, em 2020, e US$ 43/ton, em 2030. O fator crucial que sustenta os preços a um nível moderado é a capacidade de bancar recursos para o futuro. Créditos de carbono florestais representam um reservatório promissor de redução de emissões de baixo custo e que podem estar disponíveis em curto prazo.

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