Clima e Floresta
Home » Edição 12 - 01/04/2009 » 6
McKinsey calcula custo de reduzir emissões na Amazônia
Para a McKinsey, elevar IDH da Amazônia é fundamental para diminuir emissões. (Foto: IPAM)O Brasil é um dos cinco países com maior potencial de reduzir emissões de gases de efeito estufa até 2030 e 72% desse potencial está na redução do desmatamento. A informação faz parte do relatório “Caminhos para uma economia de baixa emissão de carbono no Brasil”, produzido pela McKinsey & Company, empresa de consultoria de gestão com focos nos setores público e privado, segundo o qual o País pode reduzir 70% de suas emissões nos próximos 20 anos, gastando cerca de 1% do PIB ao longo do período.
O relatório faz parte de um estudo global da consultora que concluiu que a implementação de aproximadamente 200 iniciativas, em dez grandes atividades econômicas, em 21 regiões do mundo, pode reduzir as emissões globais em 55% com custo de 60 euros a tonelada de carbono equivalente (cerca de R$ 174,00), podendo chegar a 70% com iniciativas de custos mais elevados ou com o sequestro de carbono da atmosfera.
No Brasil, seria necessário um gasto anual de 5,7 bilhões de euros (16,5 bilhões de reais) em ações de preservação da floresta amazônica e um gasto crescente ao longo do tempo com as demais iniciativas, atingindo 8 bilhões de euros (23,2 bilhões de reais) em 2030. Conforme a McKinsey, uma parte significativa desse gasto pode ser custeada pelo mercado internacional de créditos de carbono.
As ações na Amazônia estão baseadas no fortalecimento das instituições e mecanismos de monitoramento e controle, na geração de incentivos para crescimento de atividades florestais sustentáveis e em investimentos para a criação de empregos formais e para a melhoria dos índices de desenvolvimento humano. Das 130 iniciativas relacionadas no relatório, 60 foram identificadas como tendo um custo negativo, ou seja, os benefícios associados são maiores do que os gastos. Essas iniciativas representam 10% do potencial de abatimento brasileiro.
No modelo apresentado pelo estudo, os gastos associados à redução de emissões de gases de efeito estufa do setor florestal na Amazônia variam ao longo do tempo e são, em média, 2,5 bilhões de euros (7,3 bilhões de reais) ao longo dos próximos 20 anos. Se forem consideradas também as iniciativas associadas à elevação dos índices de desenvolvimento socioeconômico da população rural das regiões mais afetadas pelo desmatamento na Amazônia, esse total sobre para 5,7 bilhões de euros.
Conforme Marcus Frank, diretor do departamento de Mudanças Climáticas da McKinsey no Brasil, a inclusão de ações nas áreas de saúde e educação fazem parte de uma visão menos técnica e mais de estratégia de longo prazo. “Esse gesto é necessário para a região, que tem índices de desenvolvimento humano muito abaixo do restante do Brasil. Incluímos dentro do pacote completo porque acreditamos que para se ter uma economia formal na região, com a atração de empresas e produção de empregos, é preciso elevar o IDH. No entanto, a decisão de colocar tudo isso junto com a questão do desmatamento é do País”, disse.
“O relatório da McKinsey é importante por dar uma dimensão do tamanho do desafio que é eliminar o desmatamento na Amazônia, ao propor um volume de investimento para se chegar ao desenvolvimento sustentável na região”, diz André Lima, advogado associado do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). “No entanto, é importante lembrar que precisamos de ações de curto prazo para reverter o desmatamento que podem ser realizadas com custos menores do que os apresentados neste estudo, incluindo iniciativas sem investimento direto, como o controle de crédito e algumas ações de controle fundiário e fiscalização”, diz.
Segundo Lima, atualmente mais de 50% do desmatamento da Amazônia está concentrado em 43 municípios, que correspondem a, no máximo, 25% do território na região. “Se concentrarmos os investimentos nesses municípios podemos reduzir significativamente o desmatamento em um prazo muito mais curto”, avalia.
Para o diretor da Mckinsey, porém, somente com a elevação da qualidade de vida geral da população não haverá pressão social para o desmatamento. “No curto prazo, até pode-se conseguir resultados imediatos na queda do desmatamento sem isso, mas para manter no longo prazo – e essa é uma das preocupações para a implantação do REDD -, é preciso resolver a equação da região como um todo”.
Papel do Brasil
Conforme o relatório da McKinsey, o Brasil é responsável por 5% das emissões atuais de gases de efeito estufa e será responsável por 4% das emissões estimadas para 2030. Mas, diferentemente de outros países mais industrializados, e da norma global, a principal fonte de emissões do País é o setor florestal. Somente o desmatamento representa 55% das emissões atuais e será responsável por 43% das emissões brasileiras em 2030.
Esse elevado peso relativo do setor florestal é parcialmente compensado pelas baixas emissões da matriz energética brasileira, que tem a geração de eletricidade baseada em grandes hidrelétricas, e também pela penetração do etanol (álcool de cana) como combustível na frota automobilística. Apesar disso, a intensidade per capita de emissões brasileiras é de 12 toneladas de CO2 equivalente (tCO2e), comparável a países industrializados europeus, com emissões em torno de 10 tCO2e. Desconsiderado o setor florestal, as emissões brasileiras caem para 5 tCO2e per capita, o que posicionaria o país em um nível de emissões de baixo a moderado.
Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários com termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. » Conheça as regras para aprovação de comentários no site do IPAM
English



