Clima e Floresta

Home » Edição 24 - 30/08/2010 » 222

IPAM monitora focos de calor ao longo da Interoceânica

Maura Campanili

Foto ao longo da BR-317 (Foto: IPAM)

O asfaltamento da rodovia Interoceânica, na fronteira entre Brasil e Peru, tem provocado um rápido processo de mudança no uso da terra, com acentuada expansão agrícola. Para monitorar o impacto disso na região, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) tem acompanhado os focos de calor no Departamento de Madre de Dios (Peru), onde foi concluída neste ano a pavimentação da estrada no trecho entre a fronteira com Brasil, em Iñapari, até a Puerto Maldonado, capital do departamento. No Brasil, o monitoramento acontece também onde a estrada (no Brasil, BR-317) vem sendo asfaltada desde 2009: no município de Boca do Acre, localizado no sul do Amazonas na divisa com o estado do Acre.

O monitoramento mostra que 93% dos focos de calor em Madre de Dios, entre o mês de maio e 23 de agosto, aconteceram ao longo da estrada. No Brasil, os focos, que começaram em julho, estão mais concentrados nas proximidades do centro urbano de Boca do Acre e na fronteira com o município de Lábrea, onde há um grande projeto de assentamento do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra). “Se considerarmos a área de influência da BR-317 no Amazonas, observamos maior concentração de fotos de calor. Em julho, foram observados 185 focos de calor e, até o dia 22 de agosto, foram 418, incremento maior que o dobro do mês anterior”, mostra o levantamento.

As primeiras análises dos dados mostram que a origem dos focos de calor detectados pelos satélites é proveniente de áreas já desflorestadas, mas já é possível visualizar as primeiras cicatrizes das queimadas que estão ocorrendo em Boca do Acre.

O monitoramento é realizado a partir de um acompanhamento de pontos quentes registrado pelo Centro de Previsões de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CETEC/INPE), através de quatro satélites – AGUA, NOOA, TERRA e GOES. Embora nem sempre possam ser atribuídos a queimadas, os focos de calor auxiliam na indicação de áreas mais críticas ou vulneráveis às queimadas. A quantidade de queimadas, no entanto, pode estar até subestimada por esses dados, já que quando há grande quantidade de nuvens, muitos focos de calor não são detectados. Além disso, esse sistema detecta apenas focos de calor que tenham pelo menos 30 metros de lado, o que impossibilita a detecção de pontos de queimadas urbanas.

Saiba Mais:

Detecção de Focos de Calor no Departamento de Madre de Dios (maio a 23 de agosto de 2010)

Detecção de Focos de Calor no Município de Boca do Acre (julho a 23 de agosto de 2010)

Oficina em Boca do Acre discute os impactos da BR-317

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