Clima e Floresta
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IPAM lança relatório de atividades 2009
Maura Campanili
Capa do Relatório de Atividades 2009 do IPAM.O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) acaba de lançar seu Relatório de Atividades de 2009. Para Paulo Moutinho, atual diretor executivo do Instituto, a publicação traz uma visão integrada da região Amazônia, através das atividades do IPAM. “Se quisermos mudar o rumo do desenvolvimento da região para algo mais sustentável, sem perder a produtividade e o crescimento econômico, precisamos ter uma visão do todo. Temos que saber qual é a demanda social para uma organização como IPAM, que produz conhecimento científico e o transforma em ferramenta de transformação e aprimoramento do que queremos para a região”, disse.
Segundo Moutinho, este também é um instrumento importante de transparência e de prestação de contas aos financiadores e à sociedade em geral. Em 2009, o IPAM promoveu diversos cursos e encontros que ajudaram a integrar produtores familiares, quilombolas, indígenas, extrativistas, gestores públicos, técnicos, pesquisadores e lideranças comunitárias no debate sobre o manejo florestal comunitário e agregação de valor ao produto extrativista, no oeste do estado do Pará. Como exemplo, a participação no Grupo de Trabalho de Manejo Florestal Comunitário e Extrativista da BR-163 e nos seminários regionais de Altamira e Itaituba.
Outro destaque foi o desenvolvimento, junto à Universidade de Stanford, de um novo algoritmo denominado CLAS-Burn, para o mapeamento de cicatrizes de incêndios florestais em imagens de satélite, que possibilitou encontrar a relação positiva entre área florestal queimada e eventos de seca extrema provocados por fortes El Niños e descobrir que a frequência de incêndios na Amazônia está mudando rapidamente. Ao invés do ciclo natural de ocorrência de incêndios de 400 a 900 anos, parte da região mais fragmentada da Amazônia (Amazônia oriental) está queimando em intervalos de 12 a 24 anos.
O IPAM também promoveu o debate sobre desenvolvimento territorial no Baixo Amazonas e na BR-163. Divulgou o resultado do Diagnóstico em Mapas da BR-163 e colaborou para a construção de uma estratégia articulada do movimento social da região oeste do estado do Pará para a negociação das demandas de regularização ambiental dos assentamentos rurais do Baixo Amazonas, Transamazônica e BR-163.
O ano passado foi ainda importante para as atividades do Cadastro de Compromisso Socioambiental do Xingu, que elaborou e publicou seus critérios e indicadores, com o detalhamento de toda a metodologia de avaliação de propriedades rurais que buscam alternativas sustentáveis de produção agrícola.
Durante todo o ano, o Instituto trabalhou para o reconhecimento do papel fundamental dos povos indígenas e comunidades tradicionais como guardiões da floresta e na discussão e promoção de alternativas para a implantação de um mecanismo de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal), marcando especial presença nos eventos realizados durante a COP 15, em Copenhague.
Outras ações relevantes que contaram com a participação do IPAM foram o lançamento da proposta de regime de repartição de benefícios de REDD em Bonn e a adoção pelos estados de Mato Grosso, Acre, Pará e Amazonas das metas de redução dos desmatamentos estaduais. Como fruto da atuação na América Latina no debate para criação de uma política de REDD justa e que beneficie e reconheça os direitos das populações das florestas, o IPAM foi eleito representante da sociedade civil latinoamericana e caribenha para o Conselho Normativo do Programa de REDD da ONU (UN-REDD).
Veja também: Novo diretor executivo, Paulo Moutinho fala sobre os 15 anos do IPAM
Veja o Relatório de Atividades 2009
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