Clima e Floresta
Home » Edição 07 - 01/10/2008 » 57
Florestas no mercado de carbono é arma contra aquecimento global
Maura Campanili
Recursos, governança e monitoramento são vitais para reduzir o desmatamento. (Foto: Laura Dietzsch/IPAM) A incorporação de mecanismos de redução de desmatamento e degradação florestal (REDD) no mercado de carbono é uma das principais armas econômicas contra o aquecimento global. Essa é uma das principais conclusões do relatório “Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação: Qual a Contribuição do Mercado de Carbono?”, publicado em setembro pelo programa “Mission Climat”, do banco francês Caisse dês Dépots.
Liderado por Valentin Bellassen, especialista em mudança climática e manejo florestal do Caísse dês Dépots, o estudo contou com a participação do International Research Center on Environment and Development (Cired), do Environmental Defense Fund (EDF) e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). O estudo mostrou a importância de recursos, governança e monitoramento para reduzir o desmatamento e que as regras do mercado de carbono europeu provavelmente vão influenciar nas decisões de curto prazo que serão acordadas em Copenhague, na Dinamarca, durante a Conferência das Partes de 2009 (COP 15 da Convenção do Clima), prazo final para os países chegarem a um consenso sobre o acordo climático que irá vigorar após 2012, quando termina a primeira fase do Protocolo de Quioto.
Segundo a pesquisadora do Programa de Mudança Climática do IPAM Laura Dietzsch, uma das autoras do trabalho, a participação da instituição brasileira no estudo envolveu as informações sobre a Amazônia e o Brasil, através de mapas, modelagem e dados de estoques de carbono e desmatamento evitado para áreas protegidas. “Fizemos também uma estimativa de custos de criação e implantação de áreas protegidas, que foi comparada com os benefícios do desmatamento evitado. A conclusão é que as áreas protegidas valem realmente a pena”, disse. Conforme as estimativas do IPAM, a expansão das áreas protegidas na Amazônia brasileira entre 2003 e 2008 sozinhas devem evitar o desmatamento de cerca de 272 mil quilômetros quadrados de florestas, deixando de emitir aproximadamente 12 bilhões de toneladas de CO2 até 2050, 282 milhões de toneladas de CO2 por ano.
O relatório traz, ainda, dados interessante sobre porque as florestas tropicais são derrubadas nos três continentes (América do Sul, Ásia e África) e para onde vão os produtos decorrentes, mostrando o papel dos países industrializados no desmatamento. “O relatório aponta de forma geral quais são as causas do desmatamento no mundo: na América do Sul, dão lugar ao gado e à soja; no sudeste da Ásia, os motivos são o cultivo de dendê e a exploração madeireira; na África é mais comum o desmatamento realizado por pequenos produtores para retirada de lenha e cultivo de grãos”, explica Laura.
No caso do Brasil e da Ásia, o desmatamento está fortemente ligado à demanda internacional por produtos agrícolas. Um artigo de 2006, do pesquisador Daniel Nepstad e outros autores para o IPAM, mostrou a ligação entre o aquecimento do mercado internacional de carne e grãos e o aumento nas taxas de desmatamento na Amazônia. Para os pesquisadores, porém, o problema pode também se transformar em potencial para conservação em grande escala na região, na media em que os mercados e as instituições financeiras exigirem um melhor desempenho ambiental e social dos produtores de carne e soja. Segundo o atual relatório do Caisse dês Dépots, a injeção de recursos provenientes de créditos de carbono também pode colaborar com esse processo, valorizando a floresta e desestimulando sua destruição.
Veja o relatório na Biblioteca do Clima e Desmatamento
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