Clima e Floresta
Home » Edição 18 - 03/02/2010 » 175
Esforços combinados podem salvar floresta
Artigo publicado no início de dezembro, na revista Science, mostra como esforços combinados dos compromissos do governo e do mercado poderiam salvar a Amazônia e reduzir as emissões de carbono no Brasil. Intitulado O Fim do Desmatamento na Amazônia Brasileira, o relatório foi escrito por pesquisadores do Wooks Hole Research Center (WHRC), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Universidade Federal de Minas Gerais, Aliança da Terra, Environmental Defense Fund, Universidade da Flórida, Universidade Rey Juan Carlos e Universidade Federal do Pará.
Segundo Daniel Nepstad, cientista sênior do WHRC e principal autor do estudo, “as forças do mercado e a vontade política do Brasil estão convergindo em uma oportunidade sem precedentes para acabar com o desmatamento na Amazônia brasileira, com 80% da floresta em pé”. Conforme o artigo, a redução dos índices de desmatamento na Amazônia em 64% desde 2005 foi possível através de uma repressão do governo sobre atividades ilegais na região. Foi influenciada também por uma retração da pecuária e das indústrias de soja e um esforço crescente para excluir desmatadores dos mercados de soja e de carne. O artigo descreve como o Brasil poderia consolidar esses progressos para acabar com o desmatamento da floresta até 2020 e os recursos adicionais que serão necessários para atingir esse objetivo.
O estudo estima que serão necessários US$ 6,5 a US$ 18 bilhões, entre 2010 e 2020, para acabar com o desmatamento, resultando em uma redução de 2% a 5% das emissões globais de dióxido de carbono. As etapas incluem apoio aos meios de subsistência que demandam pouco desmatamento para povos da floresta e pequenos produtores, melhor aplicação da legislação ambiental e investimentos na gestão de áreas protegidas.
Segundo um dos autores do artigo, Britaldo Soares-Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais, “nossos modelos econômicos integram as melhores informações disponíveis sobre os solos, estradas e os custos de produção para captar a lógica econômica dos condutores do desmatamento da Amazônia”.
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