Clima e Floresta
Home » Edição 14 - 15/09/2009 » 134
Emissões do Cerrado alcançam Amazônia
Estudo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), apresentado no início de setembro, mostra que a degradação do bioma Cerrado já é responsável pelo mesmo nível de emissões de CO2 da Amazônia e pelo dobro do desmatamento da floresta. A área técnica do Ministério, com base em levantamentos dos satélites CBERS e Landsat, coletados entre 2002 e 2008, concluiu que o ritmo de desmatamento no Cerrado já corresponde a 21 mil km2 por ano, contra cerca de 10 mil km² da Amazônia. Estima-se para o período estudado uma redução próxima a 50% nas taxas de desmatamento na floresta amazônica, enquanto o Cerrado vem mantendo taxas de desmatamento idênticas, em torno de 21% de sua cobertura ao ano.
A pecuária extensiva e o plantio da soja para exportação são apontados como os vilões da degradação do Cerrado. No período estudado, houve crescimento de 6,3% na área desmatada, que pulou de 41,9% para 48,2%, quase a metade da área do bioma, de 2 milhões de km2. Além da perda de uma biodiversidade riquíssima, algo em torno de 12 mil espécies, a perda da cobertura vegetal original afeta o ciclo hídrico nas principais bacias brasileiras. O Centro-Oeste, que abriga 50% da área do Cerrado, é considerado o berço das águas, já que é onde nascem as principais bacias hidrográficas do País.
Para combater o problema, o governo anunciou a abertura de consulta pública para o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado, que pretende estender ao bioma o mesmo tratamento dado à Amazônia. Entre as medias estão a ampliação do número de unidades de conservação, que atualmente tem apenas 7,5% do seu território protegido, e a implementação do monitoramento do bioma por um sistema nos moldes do Deter, que identifica por satélite as novas áreas de desmatamento em tempo real. O programa conta, por enquanto, com R$ 400 milhões até 2011.
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