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Home » Edição 14 - 15/09/2009 » 131

Desmatamento na Amazônia chega ao menor índice

Maura Campanili

Índices de desmatamento: em queda desde 2004. (Foto: IPAM)

O desmatamento na Amazônia, segundo o Sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgado no início de setembro, registrou queda de 46% entre agosto de 2008 e julho de 2009. É o menor índice acumulado desde que o levantamento começou a ser feito, em maio de 2004. “A diferença em relação aos anos anteriores é que a curva de maio a julho para 2009 é ascendente, o que pode indicar uma tendência de retomada do desmatamento, principalmente no Pará”, disse André Lima, coordenador do projeto Políticas Públicas para a Redução do Desmatamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

“Embora o período não seja representativo estatisticamente, é importante notar que o aumento do desmatamento aconteceu principalmente em Itaituba, Altamira, Tucumã, Paragominas e Redenção, municípios que sempre estiveram entre os dez maiores desmatadores”.

Comando e controle

João Paulo Capobianco, ex-secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), acredita que os indícios de diminuição importante nos índices de desmatamento dão consistência ao processo de redução que vem desde 2004. “Essa tendência de queda teve uma interrupção em 2008, principalmente devido à valorização das commodities agropecuárias. Esses fatores foram identificados já no final de 2007, quando foram tomadas medidas mais severas contra o desmatamento, mantidas pelo atual ministro, Carlos Minc. Essas medidas são vitais para impedir uma retomada de tendência de desmatamento na região”.

Capobianco destaca, porém, que é preciso avaliar o aumento do desmatamento registrado no final da série. “É preciso investigar para saber por que houve esse aumento e se serão necessários ou não ajustes nas medidas de controle. O processo na Amazônia é dinâmico e muda conforme as ações de comando e controle”, avalia.

Entre os possíveis motivos, o ex-secretário executivo cita a aprovação da medida provisória com novas regras para regularização fundiária. “Embora não tenha relação direta, houve uma sinalização de grande anistia, que pode levar a um aumento do desmatamento nos próximos meses”, diz Capobianco.

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