Clima e Floresta
Home » Edição 17 - 01/12/2009 » 165
Brasil tem vantagens para economia de baixo carbono, diz Sachs
Maura Campanili
O planejamento de longo prazo, focado em três grandes desafios – consolidação e expansão dos serviços sociais, ampliação da economia solidária e transição para uma economia de baixo carbono – é o grande desafio para o Brasil nesta época pós-crise, na visão do economista e sociólogo Ignacy Sachs. Como superar esses desafios foi o tema da conferência que proferiu no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), dia 25 de novembro.
Segundo o professor emérito da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, França, os serviços sociais que precisam ser desenvolvidos no País incluem, além de educação, saúde e saneamento, os serviços ambientais e a habitação popular, já que o déficit brasileiro nesse setor é da ordem de 8 milhões de moradias. Em relação à economia solidária, Sachs afirma que devem ser incentivadas associações onde o excedente é apropriado por decisões coletivas, como as cooperativas, associações e a sociedade organizada. “O Brasil já tem um mecanismo para isso que são as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips)”, disse.
Em relação à transição para uma economia de baixo carbono, o economista acredita que o Brasil tem uma situação privilegiada, por ter uma matriz energética melhor do que a maior parte do mundo. “O País conta com hidrelétricas, lidera a produção de etanol de cana e tem condições de consertar seu projeto de biodiesel. Além disso, tem tudo para deixar de desmatar as matas nativas e produzir muitas árvores para todo tipo de uso, inclusive o energético”, avalia.
O maior cuidado a ser tomado, na opinião de Sachs, é em relação à competição entre segurança alimentar e segurança energética. Como saída, defende a implantação de sistemas integrados de aproveitamento da biomassa, para alimento e energia, adaptados aos diferentes biomas. Como exemplo, cita a integração entre pecuária e oleaginosas, estas últimas voltadas tanto para a produção de energia como para a alimentação do gado.
Os sistemas integrados serão ainda mais produtivos na medida que se desenvolvam a segunda geração de bioenergia, baseada no etanol de celulose, no qual todos os resíduos da produção florestal podem ser aproveitados, e a terceira geração, baseada em algas e microalgas. Com um grande litoral, lagoas, lagos de hidrelétricas, a Amazônia e o Pantanal, o País tem tudo para desenvolver projetos que envolvam piscicultura e produção de algas e microalgas.
Segundo Sachs, porém, o país precisa ir além, com o aproveitamento múltiplo das biomassas, para alimento, adubo, ração animal, material de construção, fármacos e bioprodutos em geral. “É preciso investir no trinômio biodiversidade, biomassa e biotecnologia, esta última voltada para aumentar a produção e identificar novos produtos. Este é um modelo muito menos dependente da energia fóssil”, avalia.
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