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Savanização

 

“Nossos trabalhos têm contribuído para identificar as áreas de florestas tropicais vulneráveis às mudanças climáticas e mudanças no uso da terra.”

 

Paulo Brando

O que é?

Procura identificar a vulnerabilidade de florestas tropicais às mudanças climáticas e às mudanças no uso da terra. Em particular, estuda os efeitos de secas e de incêndios na dinâmica das florestas da Amazônia. São utilizados dados de campo, experimentos de manipulação em larga escala, modelos estatísticos, de dinâmica de vegetação e técnicas de sensoriamento remoto.

 

 

Grande parte das atividades é realizada na região de Canarana, Mato Grosso, onde há uma estação experimental e um dos maiores experimentos de manipulação de fogo dos trópicos. Os estudos de sensoriamento remoto e de modelagem foram realizados em parceria com o Woods Hole Research Center e a Universidade Federal de Minas Gerais, respectivamente.


Linhas e estratégias de ação


  • Modelagem ecológica;
  • Análises temporais e espaciais da dinâmica de vegetação na Amazônia;
  • Estabelecimento de experimentos de manipulação da vegetação.







O Estudo

Os padrões de clima e de produtividade florestal na Bacia Amazônica foram avaliados ao longo de uma década. Os resultados mostraram que houve uma redução na precipitação entre os anos de 1995 e 2005 (4,5 mm por ano), enquanto a umidade relativa do ar aumentou entre 2002 e 2005. Também foi constatado que a vulnerabilidade de florestas à seca (medida através da produtividade florestal) foi menor em áreas com menos degradação, indicando que as florestas primárias têm maior capacidade de  resistir a períodos de seca em comparação a florestas degradadas (Figura 1).

 

A extensão e a intensidade das secas de 2005 e 2010 foram avaliadas, além dos seus efeitos potenciais aos estoques de carbono das florestas da Amazônia. Com base em análises de dados de chuva derivados de sensoriamento remoto, foi descoberto que 57% das áreas com florestas primárias na Amazônia tiveram baixa precipitação em 2010, comparado a 37% em 2005 (Figura 2). Através da relação entre seca e biomassa florestal (medida em 2005) foi estimado que o impacto da seca de 2010 pode ter sido de 2,2 Gt de carbono (em grande parte devido à alta mortalidade e redução no crescimento de árvores), enquanto o evento de 2005 teve um impacto de 1,6 GtC. Esses resultados mostram a importância das florestas tropicais na ciclagem de carbono global, e como as mudanças climáticas podem alterá-la drasticamente.

A última queimada experimental de 100 ha foi realizada em uma floresta de transição localizada na Fazenda Tanguro, Mato Grosso. Nos seis anos de experimento, constatou-se que as árvores mais vulneráveis ao fogo são aquelas com cascas finas, com baixa densidade da madeira e próximas à borda da floresta, onde os fogos tendem a ser mais intensos. Além disso, houve uma diminuição de até 50% na diversidade de espécies de plântulas após fogos repetidos e uma alteração na diversidade de espécies de árvores após a fertilização de parte da área experimental com fósforo e nitrogênio. Finalmente, a floresta perdeu a sua capacidade de ciclar grandes quantidades de água e carbono devido à alta taxa de mortalidade de árvores. Nos próximos anos, pretende-se melhorar as estimativas dos impactos do fogo à ciclagem de água e, assim, ao clima local e regional, através da instalação de diversos poços de 11 m de profundidade na área experimental.

 

Perspectivas

Em 2011, o projeto vai aprofundar o conhecimento sobre o impacto de mudanças climáticas e do fogo na dinâmica da vegetação da Amazônia, a partir da incorporação de alguns dos resultados observados nos experimentos de campo em modelos ecológicos de vegetação. Além disso, pretende-se melhorar as estimativas dos efeitos de degradação florestal no balanço de carbono, de água e de energia de florestas da Amazônia. Finalmente, serão testadas novas técnicas de sensoriamento remoto na quantificação dos impactos da seca, do fogo e da exploração madeireira na dinâmica de florestas tropicais.

 

Pesquisas relacionadas ao Projeto