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Recuperação Produtiva de Pequenas Propriedades na BR-230

“A excelente receptividade ao projeto pelas comunidades se deve ao fato de que o projeto concilia assistência técnica, capacitação e possibilidade de fomento numa proposta de recuperação de áreas alteradas e geração de renda.”

Marcos Ximenes Ponte

O que é

Passados 30 anos do estabelecimento dos grandes projetos de assentamento do Incra ao longo da rodovia Transamazônica, a pressão demográfica, os processos sucessórios e a falta de alternativas econômicas sustentáveis vêm pressionando as pequenas unidades familiares a avançar sobre suas áreas de preservação legal. O projeto objetiva frear esse processo, via implantação de sistemas agroflorestais baseados na cultura do cacau, capazes ao mesmo tempo de fixar carbono, aumentar a renda das unidades familiares e adequá-las às práticas de conservação exigidas por lei. O projeto contempla 75 propriedades familiares nos municípios de Uruará, Medicilândia, Altamira e Anapu, ao longo da rodovia Transamazônica, no Pará.


Linhas e Estratégias de Ação

Fixação de carbono e emissões evitadas com base na:

  • Reconversão produtiva e recuperação de áreas degradadas em propriedades familiares da Transamazônica;
  • Definição de critérios analíticos para identificar e medir impactos ambientais e expor as oportunidades produtivas sustentáveis;
  • Demonstração de iniciativas produtivas e de boas práticas de gestão e estímulo aos produtores para utilizá-las;
  • Redução da pressão sobre as áreas de reserva legal.

Objetivos específicos:

  1. Elaborar diagnósticos socioambientais e produtivos em 15 unidades piloto;
  2. Elaborar cartilhas de boas práticas e outros materiais instrutivos;
  3. Fortalecer a capacidade local através de treinamentos de produtores para gestão ambiental das propriedades e manejo de sistemas agroflorestais (SAF);
  4. Implantar 45 ha de SAF nas propriedades pilotos;
  5. Dimensionar o potencial de sequestro de carbono por unidade de área de SAF implementado;
  6. Dimensionar os custos de oportunidade e de implementação das práticas sustentáveis;
  7. Dar suporte aos produtores para se adequarem à legislação vigente;
  8. Elaborar material de divulgação científica e promocional.


O que foi feito

  • Reunião com lideranças locais para definir área de atuação do projeto e também os critérios de seleção das famílias.
  • Seleção das 75 famílias que participam do projeto. Para tanto, os sindicatos dos trabalhadores rurais indicaram famílias em cada município e a equipe técnica fez visitas para apresentar o projeto e entrevistar as famílias, buscando identificar aquelas que tinham interesse na recuperação de áreas alteradas, que gostariam de investir na cultura do cacau em sistema agroflorestal e tinham interesse em participar de um projeto de pesquisa.
  • Capacitação da equipe de 19 bolsistas da UFPA, para preparar os estudantes para realizar o diagnóstico socioeconômico das propriedades do projeto.
  • Diagnóstico socioambiental das propriedades, com levantamento de dados produtivos e sociais, além de pontos de GPS que irão ajudar na emissão do Cadastro Ambiental Rural (CAR) das propriedades. O CAR é um documento importante para as famílias de produtores, pois atualmente é uma exigência do estado do Pará numa tentativa de melhor acompanhar as atividades rurais. Somente com esse documento em mãos os agricultores podem comercializar seus produtos, acessar linhas de crédito etc.
  • Capacitação de equipe técnica, bolsistas e agricultores na construção de viveiros e produção de mudas. De setembro a dezembro, 75 famílias de agricultores instalaram 14 viveiros para a produção de mudas de cacau e de essências florestais a serem utilizadas na recuperação de 143 ha de áreas alteradas, como pastagens abandonadas e capoeiras. Seleção de áreas alteradas para recuperação e coleta de amostras dos solos, que foram encaminhadas para análise.


Avaliação

O envolvimento das famílias no projeto e a constante procura por parte de outras famílias que gostariam de participar das atividades indicam que o projeto conseguiu congregar elementos importantes para a recuperação de áreas alteradas. O projeto também contribui substancialmente com estudos econômicos que subsidiarão as práticas de REDD em unidades produtivas que adotam práticas agroflorestais.

 

 

Perspectivas

  • Realizar o plantio de mais de 140 hectares com cacau e essências florestais, recuperando a capacidade produtiva dessas áreas que eram pastagens abandonadas ou capoeiras.
  • Fazer a seleção de novos bolsistas, contribuindo para a formação de mais um grupo de alunos.
  • Produzir filmes e materiais didáticos a respeito da produção de cacau e de outras espécies, e elaborar manual de boas práticas.
  • Iniciar pesquisas sobre a capacidade de fixação de carbono por sistemas agroflorestais.
  • Concluir os estudos econômicos e propor uma metodologia para compensação pela manutenção de estoques de carbono e serviços ambientais.