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14 de Julho de 2010

No ano da biodiversidade, seminário discute os desafios para o Brasil

Juliana Sakae / IPAM

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BRASÍLIA, 13.07 - “As rodovias, quanto mais modernas são, maior o impacto na biodiversidade e nos chamados corredores ecológicos”. A opinião de Pedro Bignelli, chefe da seção de licenciamento do Ibama, permeou a discussão sobre como preservar a biodiversidade nas áreas de construção de rodovias e ferrovias no Brasil. Supressão de vegetação, erosão, acidentes, atropelamento de animais silvestres, são alguns dos muitos tipos de impactos causados. No Seminário “Ano Internacional da Biodiversidade: os Desafios para o Brasil”, representantes da sociedade civil, de órgãos governamentais e da universidade foram chamados à Câmara dos Deputados para analisar a preservação.

Para o ecólogo e diretor executivo do IPAM, Paulo Moutinho, a questão principal não é a importância do asfalto para economia brasileira, mas os custos do investimento em infra-estrutura rodoviária para diminuir o impacto ambiental. “Não encontro essa resposta nem no licenciamento ambiental (Ibama), nem em lugar algum”, afirma Moutinho. De acordo com os números exibidos, de 70% a 80% do desmatamento da Amazônia estão localizados nos 50 quilômetros que margeiam as rodovias.

PAC

Os mapas exibidos por Moutinho durante a apresentação simulam o desmatamento da Amazônia brasileira em 2050 com grande aumento de áreas abertas às margens das rodovias. Discordando de outros institutos que vêem como positivo a redução da taxa de desmatamento nos últimos anos, Moutinho reitera três grandes pontos que são preocupantes, entre eles o programa do PAC.

Para Moutinho, o Brasil continua com seus programas de investimento sem questionar muito os impactos ambientas. “Historicamente se vê que a governança e a presença do Estado só chega em um lugar quando você já acabou com todos os recursos”, afirma o diretor que não se coloca contra o PAC, mas em análise primária não vê espaço para discussão da proteção ambiental no texto do programa.

Outro ponto, segundo Moutinho, é o crescimento na demanda de commodities na China em 40% da produção mundial, que poderá equivaler a um aumento da produção agrícola no Brasil. “Segundo estudos da Embrapa, até 2018, 15 milhões de hectares serão utilizados para produção agrícola na Amazônia e principalmente na brasileira”, diz Moutinho. Por último, “o pior”, prossegue o diretor do IPAM, “foi uma decisão tomada aqui nesta Casa, a Câmara dos Deputados: a aprovação pela bancada ruralista das mudanças do Código Florestal seguindo o relatório de Aldo Rebelo”.

A dissonância entre discursos dos palestrantes foi comentada. O diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Silvestre e Educação Ambiental, Clóvis Borges, encerrou o primeiro dia do seminário questionando “quando iremos ter uma permeabilidade entre os discursos, e quando as instituições governamentais irão ouvir estas informações que Paulo Moutinho acabou de apresentar”.

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