31 de Agosto de 2010
Fogo na Amazônia é o destaque da Clima e Floresta deste mês
IPAM
Brasília (31.8.10) - As consequências que o fogo tem sobre a floresta amazônica em um cenário de mudanças climáticas é um dos temas centrais das pesquisas que o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) realiza na maior floresta tropical do mundo. A edição de agosto da newsletter mensal do Instituto, Clima e Floresta, destaca alguns desses estudos que trazem informações importantes para compreender como a floresta reage ao fogo.
Uma das pesquisas destacadas em Clima e Floresta faz parte do projeto Savanização, que o IPAM desenvolve na bacia do rio Tapajós, no Pará, junto com a Universidade da Flórida (UF) e o Woods Hole Research Center (EUA). O estudo constatou que as florestas densas são as mais resistentes às secas sazonais. Os resultados foram publicados na revista Revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos no início do mês.
Em entrevista, o pesquisador Paulo Brando, coordenador do projeto, opina que será necessário integrar melhor os dados de campo e os estudos de sensoriamento remoto para que se possa realmente entender como as secas previstas num futuro próximo afetarão essas florestas.
Outro estudo de destaque na newsletter deste mês é desenvolvido pela geógrafa do IPAM, Ane Alencar, como parte do Projeto Modelagem do Uso da Terra. A pesquisa mostra que a frequência de incêndios florestais na Amazônia está aumentando. Ao invés do ciclo natural de 400 a 900 anos, parte da região mais fragmentada da Amazônia está queimando em intervalos de 12 a 24 anos.
Fogo na floresta
No campo, o IPAM realizou neste mês de agosto a última etapa de um experimento com uso do fogo. A experiência iniciada em 2004 na Fazenda Tanguro, no noroeste do Mato Grosso, incluía a queima regular controlada de 100 hectares de floresta para que os cientistas possam conhecer os impactos do fogo na biodiversidade da região.
Para entender os cenários que levam às queimadas, o IPAM passou a monitorar focos de calor ao longo da Rodovia Interoceânica. A região, na fronteira entre Brasil e Peru, tem passado por um rápido processo de mudança no uso da terra, com acentuada expansão agrícola. Em uma oficina no município de Boca do Acre, no Amazonas, para discutir o processo de asfaltamento rodovia BR-317 (como se chama a Interoceânica no Brasil), índios de várias etnias discutiram temas como impacto da obra, mitigação dos danos e licenciamento ambiental.
O IPAM também acompanhou o último encontro da Parceria Interina de REDD+, realizado no início de agosto em Bonn, Alemanha, e mostra que houve falha no cumprimento dos objetivos de inclusão e transparência acordado com as partes interessadas, que, por conta disso, se negaram a discutir a proposta de Plano de Trabalho.
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