Rio enfrenta dificuldades para atender projetos
Home » Rio enfrenta dificuldades para atender projetos
Rio enfrenta dificuldades para atender a projetos de compensação ambiental
RIO - As florestas foram um dos temas mais debatidos na Conferência do Clima da ONU, realizada este mês em Cancún . O programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), destinado a combater as emissões de gases-estufa em florestas tropicais, vai consumir parte dos US$ 100 bilhões anuais que o recém-criado Fundo Verde terá entre 2013 e 2020. Mas o debate sobre a conservação de reservas legais e áreas de proteção vai muito além da vegetação da Amazônia. Os próximos seis anos serão cruciais para a Mata Atlântica. As obras de infraestrutura necessárias para a Copa do Mundo e as Olimpíadas do Rio virão acompanhadas por políticas de compensação ambiental. E esses projetos podem devolver à região um pouco do verde que a cobria séculos atrás.
- As ações para realizar um empreendimento são compensadas pelo plantio de árvores, que resulta num reflorestamento. O crescimento da vegetação, por sua vez, sequestra carbono, o que colabora para reduzir o efeito estufa - explica Paulo Moutinho, diretor do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.
A gênese dos projetos de compensação ambiental são os viveiros, de onde vêm mudas de plantas nativas. E neles está a maior falha do sistema. Essas empresas são mal distribuídas pelo país, produzem apenas metade do que poderiam e trabalham com poucas espécies, o que não contribui para preservar a biodiversidade.
- A Mata Atlântica, quando se aproxima do Nordeste, tem pouquíssimos viveiros - lamenta Marco Aurélio Cabral, gerente do Departamento de Meio Ambiente do BNDES. - As regiões entre os grandes biomas também são especialmente frágeis.
No Rio, o custo de preservação por hectare, muito acima de São Paulo, é outro desafio para a restauração de florestas. As respostas para tantas deficiências têm de vir em seis anos se a intenção for realmente aproveitar a onda de investimentos no estado.
De boa ação a mercado prósperoAntes visto como uma boa ação, algo praticado apenas por ambientalistas fervorosos, o reflorestamento tornou-se atividade econômica e exige modernização urgente. As políticas de compensação ambiental difundiram-se tanto que, hoje, os fornecedores de mudas enfrentam dificuldade em atendê-las. Para quase toda intervenção urbanística é necessário destinar recursos que recuperem áreas florestais degradadas.
E essas operações crescerão exponencialmente nos próximos anos. As obras necessárias para receber partidas da Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos farão o Rio plantar pelo menos 24 milhões de árvores nos próximos seis anos.
- A demanda por mudas de árvores nativas já superou a oferta há anos - alerta Marcelo de Carvalho, proprietário do viveiro Biovert, o maior do estado. - Ninguém estudava esta carência porque não havia o costume de acompanhar de perto este mercado.
O BNDES, no entanto, percebeu a carência por mudas. E, agora, prepara-se para modernizar o setor.
- Existem hoje gargalos para atender a demanda por reflorestamento, e eles estão muito mais presentes na etapa de coleta e obtenção de sementes certificadas - ressalta Marco Aurélio Cabral, gerente do Departamento de Meio Ambiente da instituição. - Os viveiros, que se dedicam ao crescimento da muda, estão espalhados de forma muito heterogênea pelo país, e até mesmo na Mata Atlântica. Precisamos fortalecer essa rede e integrá-la.
Leia matéria original.
Português

