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Principais resultados do diagnóstico: indícios de sobre-exploração do pirarucu no baixo Amazonas

O diagnóstico mostrou que os estoques e a pesca do pirarucu se encontram em uma situação crítica na maioria das comunidades, com algumas poucas exceções, confirmando a necessidade de incentivo as ações de manejo sustentável do recurso.

Apesar da maioria das comunidades (~90%) nunca terem realizado algum tipo de monitoramento da pesca ou da população do pirarucu e, não saberem exatamente o número peixes nas áreas de suas comunidades, a maioria (65%) dos entrevistados concorda que há poucos peixes nos corpos d´água. Além disso, a maioria (80%), dos entrevistados percebe diminuições nas abundâncias do recurso nos últimos anos. Apesar dessas percepções, a maioria (82%) alegou que é difícil de saber a quantidade exata de peixes mostrando que também desconhecem qualquer metodologia para estimar a abundância de pirarucu na área de suas comunidades.

Existem em média, apenas 1,8 (+1) corpo d´água por comunidade considerados pelos entrevistados como de maior abundância de pirarucus. Em muitos casos, esses são os únicos ambientes nos quais há ocorrência do pirarucu na área da comunidade.

Os pescadores também citaram que o pirarucu é capturado todos os meses do ano, de janeiro a dezembro, sendo que os meses de maior captura são de julho a setembro, variando entre as comunidades (Figura 1). Isso evidencia o descumprimento ao período do defeso reprodutivo, de 1 de dezembro a 31  de maio, determinado pelo IBAMA. A maior parte da captura de pirarucu (70%) é composta por juvenis (indivíduos abaixo de 1,5 m, o que é um sinal comum de sobre-exploração pesqueira (Figura 2). Isto está de acordo com o demonstrado pelos dados de capturas no entorno do município de Santarém, que mostram que aproximadamente 75% da captura é composta por indivíduos menores que 1,5 m de comprimento (Martinelli & Petrere, 1999). O desrespeito ao tamanho mínimo de captura e defeso reprodutivo representa uma ameaça para a conservação da espécie.

A implementação do manejo pode reverter parte dos problemas encontrados no diagnóstico.  As atividades de treinamentos em contagens e as contagens de pirarucu fornecem informações mais precisas sobre a situação da populações da espécie nas áreas das comunidades. O projeto de manejo comunitário do pirarucu deve envolver todas as comunidades que utilizam os mesmos corpos hídricos nos PAEs e conseqüentemente, o projeto deve apoiar acordos de uso de áreas entre as essas comunidades.  As capacitações, discussões e acordos realizadas devem incentivar o estabelecimento e cumprimento de regras para manejo sustentável dos recursos pesqueiros. A pesca manejada tende a beneficiar as famílias dos pescadores porque pode ser feita de forma coletiva, assim todos aqueles que participam e colaboram em alguma etapa do manejo também se beneficiam. A pesca manejada pode agregar valor ao pescado, direcionar a comercialização para melhores mercados e conseqüentemente trazer um maior retorno econômico para as famílias. A existência de um modelo de manejo adaptativo do pirarucu no Baixo Amazonas pode exercer um papel multiplicador na conservação do recurso.