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Nem esperança nem decepção em Copenhague. Só realidade!
Publicado em: 21/12/2009
Paulo Moutinho, IPAM
Antes de iniciar a COP15 na gelada Copenhague, expressei neste site minha esperança em relação ao encontro. Depois de permanecer quase 20 dias acompanhando as reuniões, o que sinto agora é uma forte frustração. Mas já que ela é a ultima que morre, ainda vejo alguma esperança.
Parte da frustração vem da realidade que veio à tona durante as negociações entre os países. Aquela realidade expressa nos discursos dos políticos que indicam uma direção, até uma solução, mas, no final do dia, não agem em função do que foi dito. Vem também da percepção quanto à desigualdade entre os governantes, que preferem arriscar o pescoço das próximas gerações ao invés de comprometer suas ambições políticas de curto prazo. A realidade de que não bastam as evidências científicas sobre a gravidade do aquecimento global para levar aqueles que tomam decisões a uma convergência de opiniões que salve o planeta. Preferem seguir com seus raciocínios tortos calcados no interesse político pessoal e em seus egos exacerbados. Tudo isto levou a um acordo final agonizante que dá muito pouco subsídio para continuarmos a manter nossa esperança.
Afinal, não foram estabelecidas metas de redução de emissões ou de qualquer tipo. No entanto, incorrigível que sou, mantenho alguma esperança de que um acordo para a crise climática seja possível. E tal esperança assenta-se nas milhares de pessoas que representaram instituições não governamentais e de movimentos sociais do mundo tudo e que participaram desta COP. Está no rosto de cada “cidadão global” que enfrentou até oito horas de frio abaixo de zero para ingressar no centro de convenções e deixar o seu recado aos governantes. Estou convencido de que o resgate da esperança por um acordo futuro mais adequado está nas mãos deste imenso contingente de pessoas.
Um pouco desta esperança pode se ver no acordo sobre REDD (Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação Florestal). O texto final sobre o assunto expressou avanços importantes, reconhecendo o papel de populações indígenas e tradicionais na formulação e acompanhamento de ações de REDD implementadas nos países. Uma vitória sem dúvida de centenas de representantes de povos da floresta que começaram a participar nas conferências de clima há alguns anos e conseguiram que suas ideias fossem incorporadas às discussões.
Nesta torre de babel que é a COP15, o desempenho do Brasil, salvo no último minuto por um discurso excelente do presidente Lula, indica que o país terá um papel importante nas próximas rodadas de reuniões. O papel fundamental do Brasil é o de liderança. O país poderá fazer muito mais do que já prometeu. Poderá, se houver vontade política, acabar com o desmatamento da Amazônia até 2020 e não apenas reduzi-lo a 80%.
Como disse a senadora Marina Silva, mesmo que o Brasil faça gestos simbólicos – como a doação de US$1 bilhão para um fundo que ajude países mais pobres sugerida por ela – eles serão capazes de um constrangimento tal que poderá virar o jogo das negociações.
Haverá diversas reuniões intermediárias até a próxima COP no final do ano que vem no México. O imenso contingente de brasileiros que acompanhou as negociações em Copenhague certamente continuará a postos para cobrar mais ações do governo e mantermos assim nossas esperanças.
Precisaremos efetivamente cobrar dos candidatos a presidente e a governador o cumprimento das metas de redução das emissões brasileiras. Cuidar do clima planetário será certamente um diferencial entre os candidatos nas próximas eleições. Aqueles que não assumirem os compromissos declarados, certamente terão a resposta no voto.
Veja também:
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Notícias
Meta de redução de gases acertada em Copenhague vai virar lei no Brasil
Publicado em: 30/12/2009
Paulo Moutinho do IPAM em entrevista ao Bom Dia Brasil. Veja Link no final da matéria.A meta de redução de gases poluentes acertada na Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, realizada em Copenhague, na Dinamarca, vai virar lei no Brasil. Cada setor terá que fazer a sua parte.
O que está certo, com a nova lei, é o compromisso do Brasil, de poluir menos, nos próximos dez anos. Mas o governo ainda vai decidir em janeiro qual será o papel de cada setor, como a indústria, o comércio, o agronegócio. A lei - que é um estímulo a mudanças de hábitos - deve ser publicada hoje (29), em uma edição extra do Diário Oficial.
“A sociedade terá que se mobilizar, o cidadão tem que se conscientizar das suas práticas, das suas atitudes, buscar o consumo mais sustentável de produtos que emitam menos carbono”, explica o professor da Universidade de Brasília Saulo Rodrigues Filho.
Separar o lixo, evitar desperdício de água, apagar a luz sempre que possível. Se a população pode ajudar, imagine setores como indústria, agropecuária e construção civil.
O governo promete definir responsabilidades. Detalhar tudo em um decreto até fevereiro. Será uma espécie de roteiro, o que cada setor da economia deve fazer na luta contra os gases que provocam o aquecimento global.
A lei de mudanças climáticas manteve o compromisso de diminuir a emissão de gases de efeito estufa em até 39% nos próximos dez anos. Mas a pedido do Ministério de Minas e Energia, o presidente Lula vetou medidas que poderiam limitar o uso de combustíveis, como gás natural e petróleo.
“O veto tem uma razão de ser, no sentido de que não se pode fazer uma mudança grande da matriz energética de um país do dia para a noite. Mas, certamente, a sociedade brasileira como a sociedade planetária terá que enfrentar essa questão da substituição gradual e o abandono do uso dos combustíveis fósseis”, diz o diretor do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia, Paulo Moutinho.
A lei estabelece preferência para tecnologias limpas. Não basta apresentar preços baixos para vencer uma licitação. Tem mais chance de fechar negócio com o governo a empresa com propostas ecologicamente corretas.
“Quando você for fazer uma licitação, não é só quem der o melhor preço, também vai ser levado em conta aquela tecnologia que emita menos e que propicie maior economia de água, energia e outros recursos. Ou seja, não adianta você ter uma meta geral de clima se os instrumentos financeiros e econômicos não traduzirem isso”, explica o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Ontem, o meio ambiente foi assunto de uma conversa por telefone entre o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e o presidente Lula. Por quase 15 minutos, eles falaram sobre a Conferência do Clima em Copenhague. Eles concordaram que, mesmo sem acordo, o encontro não foi um fracasso. Lula disse ainda ao secretário-geral que a ONU é o local adequado para discussões sobre o assunto.
Veja vídeo e matéria na íntegra no site do G1.
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Galerias
Side Event do IPAM e WHRC
Publicado em: 16/12/2009
Transformando REDD realidade em diversos níveis, Side event, COP 15, com a presença da senadora Marina Silva.Fotos
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Podcast
Obama não tem peso político suficiente para reverter o cenário em Copenhague
Publicado em: 18/12/2009
Rádio CBN 18.12.2010 - Boletim Ciência e Meio Ambiente com Osvaldo Stella, coordenador de pesquisas do IPAM | Terças, às 14h55
Há uma grande expectativa para ouvir o discurso de Barack Obama que falará hoje (18.12), mas às vezes é superestimada. Ele tem um peso político enorme, mas não chega a ser suficiente para reverter todo o processo que envolve 110 chefes de Estado que se desenrolou todo o fim de semana. O que ninguém esperava é que não houvesse compromisso explícito em relação à Redução de Emissão de Gases de Efeito Estufa.
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Vídeos
Chinesa fala ao site do IPAM sobre a COP 15
Publicado em: 18/12/2009
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Biblioteca
Side Event do IPAM e WHRC na COP
Publicado em: 13/12/2009
TRANSFORMANDO REDD REALIDADE EM DIVERSOS NÍVEIS, Side event com a presença da senadora Marina Silva. Segunda, dia 14, às 11 (hora local, Copenhague)
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e Woods Hole Research Center. Side Event, COP 15. Copenhague/Dinamarca. Dezembro, 2009















